Primeira carta
Reunimos, num apartamento em Alvalade, três jornalistas e duas professoras de yoga para discutir se faltava em Portugal uma redação especializada. A resposta foi sim, e escrevemos a primeira carta editorial nessa noite.
Da carta da editora, ao primeiro estúdio aberto, à decisão de não publicar tabelas: cinco anos de trabalho editorial sobre prática de yoga em Portugal, contados a partir da redação em Lisboa.
Quando esta revista começou, em 2020, não tínhamos sede própria, não tínhamos calendário, não tínhamos sequer a certeza de que duraria um ano. Tínhamos três páginas de notas e a vontade de escrever sobre yoga sem fazer publicidade. Acreditávamos — e continuamos a acreditar — que existe espaço, no panorama português, para uma redação pequena, lenta, com vocação editorial e sem ânsia de números. Cinco anos depois, escrevo esta carta para apresentar a Runrising a quem chega pela primeira vez, e para lembrar a quem nos lê há tempo de onde viemos.
A Runrising é, na sua forma simples, uma revista digital. Publicamos artigos longos, ensaios curtos, entrevistas pacientes, cartas de leitores e, ocasionalmente, edições impressas em tiragem reduzida. Não temos categorias rígidas: o que nos move é a possibilidade de olhar para a prática de yoga como uma coisa pequena, repetível, observável, em vez de uma indústria. Esta página conta como chegámos até aqui.
— Catarina Mendes-Tavares, editora-chefeReunimos, num apartamento em Alvalade, três jornalistas e duas professoras de yoga para discutir se faltava em Portugal uma redação especializada. A resposta foi sim, e escrevemos a primeira carta editorial nessa noite.
Publicámos quatro ensaios e uma entrevista. O site não tinha pop-ups, nem newsletter, nem botões sociais. Continua a não ter.
Visitámos doze estúdios pelo país e publicámos uma série mensal de retratos. Tornou-se a leitura mais partilhada nos primeiros doze meses da revista.
Escrevemos, internamente, o nosso código editorial: sem promessas, sem tabelas, sem antes e depois, com nomes próprios sempre que possível, com revisão a duas mãos.
Ocupámos uma sala numa zona tranquila do Sede Amoreiras Plaza, em Lisboa. Tem uma mesa longa, duas estantes e um quadro de cortiça. É onde se reúne a redação semanalmente.
Imprimimos uma tiragem pequena, cento e cinquenta exemplares, dedicada a professoras de yoga em cidades médias. Esgotou em dois fins-de-semana e desencorajou a tentação de crescer rápido.
Abrimos chamadas a colaboradoras em Coimbra, Évora, Porto e Funchal. Esta rede continua a alimentar boa parte dos artigos que se publicam hoje.
Acrescentámos uma página fixa dedicada a leitores que praticam sem professora — um pedido recorrente nos emails recebidos.
Lançamos a edição dedicada à prática curta, lenta e diária — o documento que está agora a ler. É também a primeira em que abrimos a porta a leitoras para uma sessão experimental gratuita.
anos a publicar sem interrupção desde a primeira carta editorial
colaboradoras e colaboradores externos, espalhados por seis cidades portuguesas
redação central em Lisboa, onde se reúne a equipa semanalmente
Editora-chefe
Trabalhou em redações culturais durante dez anos antes de fundar a Runrising. Pratica yoga há catorze.
Editor de respiração e movimento
Escreve sobre pranayama e mobilidade. Antes de chegar à Runrising, foi tradutor de manuais de fisioterapia.
Editora de práticas em casa
Coordena a série mensal sobre prática doméstica. É também colaboradora externa de uma editora de poesia em Coimbra.
Para o segundo semestre de 2026, planeamos abrir uma secção dedicada a professoras independentes em cidades portuguesas pequenas, com perfis de redação curta e fotografias documentais. Manteremos a periodicidade lenta e a recusa de qualquer formato baseado em promessas — porque é por isso, no fim, que existimos.
Se chegou aqui pela primeira vez e quer experimentar, oferecemos uma sessão experimental para leitoras e leitores da Runrising. Trazemos o tapete, os blocos e a manta. Você traz a curiosidade e recebe um lugar reservado na próxima aula calma a sair na nossa agenda de Lisboa.
Sem compromisso · a primeira aula é gratuita · respondemos em até 24 horas úteis